Garota, um dia, a historia ainda lembra, pois o tempo ainda não conseguiu esquecer o impacto dos eventos. Uma jovem mulher, cheia de paz e de ternura, abriu os braços e resolveu dar abrigo ao infinito. Seu nome era MARIA, transitava graciosa pelos caminhos do Pai, em busca da maturidade de mulher, de esposa e de mãe. Seria loira? Morena? Alta e esguia? Trigueira e tostada de sol? Seria verde o seu olhar ou azul talvez? Não sei... Eu não sei e nem creio que isso venha a ser importante, o importante sim, é que em Nazaré, há mais ou menos dois mil anos, uma jovem extravasou seu coração de mulher, de menina moça, e desde então o mundo nunca mais conseguiu disfarçar a saudade e a fome que ele tem de Deus. E esta jovem era judia, garota como tantas em Nazaré, garota que ousou ser diferente, não tanto como tantas, uma garota que ainda não atingia sua maturidade física entende? Ou talvez a à tivesse atingido eu nem sei ao certo, o certo que sei, é que um dia, o amor se tornou criança, e veio morar dentro dela, e o nome dela era MARIA, MARIA DE NAZARÈ.
Seu amor não conhecia limites, mas cabia bem no quadro da feminilidade, foi por isso que um dia Maria repartiu seu coração com um jovem carpinteiro e o nome dele era José, e ambos haviam conhecido a paz interior. Do amor nasceu o desejo de unirem suas vidas, da paz interior a decisão de permanecerem unidos no seu Deus, ora sei lá! Só sei que se tivessem explicado isso aos homens do seu tempo, seriam provavelmente marginalizados e ridicularizados, e se isso tivesse acontecido nos tempos de hoje em que de cada cem filmes, noventa exploram o erotismo e a violência, eu nem sei o que aconteceria. O fato é que José e Maria mesmo desposados, não tinham feito o uso do sexo, não que o tivessem rejeitado, entenda bem, era parte das coisas normais que entravam ou deveriam entrar em vida, mas, eles eram um pouco diferentes, não tinham tido pressa, e se amavam... Incrível! Isso não existe! Ninguém consegue ficar sem sexo tanto tempo assim, sobretudo depois de casado! “Isso é o cumulo do tabu, do quadradismo, do retrocesso!” Diriam os sexólogos modernos. “Verdade.” Diria quem conhece a paz da contemplação. Um casal tranqüilo, que descobriu uma outra dimensão de amor, só isso. Ah, e o nome dele era José, o carpinteiro, e o nome dela era Maria, Maria de José...
Agora imagine você, os dois vivendo essa tremenda aventura de paz interior e curtindo essa forma diferente, superespetacular de vida a dois, na paz da oração e da fidelidade, e do que eles se haviam proposto e...se de repente, a dúvida e o amargor da insegurança. Você já sabe da historia. O mensageiro de Deus vem e anuncia que ela vai ser mãe, e nem pergunta se ela quer, vai saudando e dizendo simplesmente que, ela havia sido escolhida para ser mãe de um filho do povo, “Eu sei.” disse ela “ Entendo a sua mensagem. Mas só que há um pequeno obstáculo, como é que pode acontecer uma coisa dessas, se eu sou virgem?” ela sabia muito bem das coisas, por isso mesmo começou colocando a fé em primeiro plano, e foi assim que o jovem casal enfrentou a sua primeira “crise”. Como dizer a ele que ambos teriam um filho, e que, contudo, não seria dele? Que o Espírito Santo à cobrira com sua sombra? Que engravidara miraculosamente? E existe homem capaz de aceitar uma conversa desse tipo? Dizer o que? De que jeito? Hum? E os dois se amaram na angustia e na barreira de um segredo terrível. Para José tão logo Maria voltou de sua visita à Isabel, a expectativa de uma explicação, e ao mesmo tempo o respeito de marido que confia. Ela voltara grávida, e o filho não era dele. Para Maria, a impossibilidade total de explicar o inexplicável, sobre ambos o silêncio e a paz da consciência limpa e tranqüila. É, é muito fácil imaginar o acontecimento no seu lado poético, mas a cruz de um sim que tirava dela toda e qualquer palavra de explicação que a reduzia ao silencio da fé, isso pesava muito mais do que a alegria de ser a escolhida, e sabe o que ela disse? “Faça sim a vontade de Deus.” e em toda a Galiléia, não houve mãe mais feliz, mais pura, mais doce, mais sofrida e mais martirizada, e o nome dela era Maria, MARIA DE JESUS CRISTO, Maria dos inocentes... [...]