26 de outubro de 2009

Muitos são chamados, e poucos são os escolhidos.


Por muito tempo essa passagem do Evangelho “muitos são os chamados, e poucos são os escolhidos” (Mt 22,14) me inquietou os pensamentos. Eu ficava pensando no significado real dessa afirmação, porque não me entrava na cabeça o porque de Deus chamar muitos e escolher poucos. A idéia que me vinha era que Deus não amava a todos, já que os que Ele escolhia eram poucos… e o resto, ficava aonde? Deus chama muitos e escolhe poucos? Como assim? Deus tem uma predileção por alguns? E os outros? E isso me deixava muito confuso.
Até que um belo dia, em oração, Deus conversou comigo e me revelou o significado dessa passagem bíblica e me fez entendê-la com uma outra passagem: “se obedecerdes a minha voz, e guardardes minha aliança, sereis o meu povo particular entre todos os povos”. (Ex 19,5). Ou seja, se fizermos à vontade de Deus, seremos o seu povo particular, o seu rebanho.
Entendi que Deus chama a todos ao seu amor e que tem um desígnio específico para cada um de nós. Aqueles que são dóceis a esse chamado e dizem o seu “sim” a Ele, esses se tornam os escolhidos de Deus. E por isso que “poucos são os escolhidos” porque são poucos os que têm a coragem de se abandonar, de se lançar nas mãos mais seguras que existem nessa vida.
Hoje posso dizer com toda sinceridade que sou muito feliz por ter sido escolhido por Deus para trabalhar em sua vinha. Quando damos o nosso sim a Deus, no começo é doloroso, porque não é fácil abandonar nossos sonhos e projetos de vida, mas há uma recompensa muito grande aqui mesmo na terra e principalmente no céu de riquezas muito melhores e imperecíveis (Hb 10,32-39).
Por isso, vale a pena ser de Deus! Vale a pena seguir o seu chamado! Vale a pena dar um sim definitivo e devolver a Ele o que de graça nos deu, a nossa vida! Vale a pena dar o melhor de nós mesmos: a nossa juventude. Vale a pena ser um escolhido!
Jean Borges – Diocese de Limeira

23 de outubro de 2009

SAMUEL: Menino que ouviu a voz de Deus.

A vida de Samuel é um convite para todos os jovens de nosso mundo e de nossas comunidades que se acham inferiores e não dignos do amor e da confiança do pai eterno. A Bíblia narra a história de Samuel apresentando-o, inicialmente, como um menino muito querido por Deus, assim como todos os jovens são amados por Ele.
Samuel amava muito a Deus. Por isso, desde pequeno, aprendeu a ouvi-lo e a transmitir suas mensagens às pessoas. Vamos conhecer melhor a história de Samuel. Ela está no livro da Bíblia que tem o seu próprio nome: Primeiro Livro de Samuel (I Sm). Comece a leitura no primeiro capítulo, versículo 19 em diante.
Os pais de Samuel se amavam muito e queriam um filho, mas Ana não podia ter nenê. Então, ela rezou, com toda a confiança, pedindo a Deus que lhe desse tal filho.
Passado não muito tempo, Ana ficou grávida e deu à luz um menino. Ela o chamou com o nome de Samuel, que significa "pedido ao Senhor". Seus pais ficaram contentes e agradeceram muito a Deus. Sua mãe cuidava dele com todo amor e carinho. E lhe ensinava muitas coisas. Certamente foi dela que Samuel aprendeu a rezar e a ter Deus como um amigo. Sua mãe havia feito uma promessa: de oferecer este seu filho a Deus para que ele se tornasse um sacerdote.
Assim, Samuel dedicaria toda sua vida ao Senhor para servir ao seupovo. Sem dúvida, este gesto de Ana era muito bonito. Mas você já pensou onde é que Samuel aprenderia a ser sacerdote? Pois, naquele tempo, não havia seminários, como existem hoje, onde se preparam os futuros padres.
Contudo, seus pais sabiam o que precisavam fazer. Por isso, quando Samuel era ainda criança, eles o levaram para morar no templo, numa cidade chamada Silo, na antiga Palestina. Seria aí, junto com o sacerdote Eli, que o pequeno Samuel começaria a preparar o seu futuro, como sacerdote. I Sm 1,24-28.
Samuel acostumou-se logo e gostou muito de viver em Silo. Todos os anos, seus pais iam visitá-lo. Eles estavam felizes, e Eli os abençoava. Assim, Samuel foi crescendo. E com muita alegria e dedicação ele servia ao Senhor, na presença de Eli.
Além de Samuel, Eli era ajudado nas tarefas do templo pelos seus dois filhos: Hofni e Finéias. Estes, ao contrário de Samuel, não se preocupavam com as coisas de Deus, nem com os deveres dos sacerdotes em relação ao povo. Eli, já bastante velho e enfraquecido, sofria muito com isso. Aconselhava-os sempre, mas em nada conseguiu modificar o comportamento dos filhos. Samuel, no entanto, continuava sempre dedicado, e Eli confiava muito nele.
►Deus chama Samuel e lhe fala
Assim, a vida de Samuel prosseguia seu ritmo normal. Nela não havia coisas ou visões extraordinárias. Certa noite, porém, algo diferente aconteceu... Eli estava em seu quarto. Também Samuel já estava quase dormindo, quando ouviu uma voz que o chamava: "Samuel, Samuel". Ele pensou que fosse Eli e foi imediatamente procurá-lo e disse: "O senhor me chamou?". Eli respondeu: "Não, volte para a cama e durma". Samuel obedeceu, mas quando estava novamente quase pegando no sono, ouviu de novo: "Samuel, Samuel". Outra vez pulou da cama e correu para Eli: "O senhor me chamou, aqui estou". De novo Eli o mandou de volta para a cama, pois não o havia chamado.
Uma terceira vez, Samuel ouviu o chamado e correu para o quarto de Eli. Então o sacerdote entendeu que era Deus que queria falar a Samuel e disse-lhe que fosse dormir e se voltasse a ouvir a voz dissesse assim: "Fala, Senhor, que estou escutando". Samuel fez direitinho como Eli havia ensinado. Então Deus lhe revelou uma terrível mensagem. Nela Deus comunicava a Eli uma decisão muito importante: ele ia tirar de seus dois filhos o direito de serem sacerdotes. Tudo isso porque eles estavam desrespeitando Deus e o povo.
Samuel compreendeu bem o recado de Deus. E ficou pensativo: "Como vou dizê-lo a Eli? Ele ficará muito triste. Mas Deus tem toda a razão e eu não posso desobedece-lo". Assim, no dia seguinte. Samuel contou a Eli tudo o quê o Senhor lhe falara. E o sacerdote aceitou as determinações de Deus, através das palavras de Samuel.
Pouco depois, também o povo ficou sabendo de tudo, e Samuel se tomou um profeta no meio deles. Todos tinham grande respeito por ele e diziam: "E um profeta, pois Deus falou com ele, e ele nos comunica as coisas de Deus".
Esse povo é o mesmo que saiu do Egito com Moisés, eles viviam em constantes lutas com os povos das cidades vizinhas. Os inimigos queriam tirar deles a terra (que Deus mesmo lhes prometera). Por isso, Deus sempre tomava a defesa do seu povo. E com sua ajuda, os inimigos eram facilmente vencidos.
Certa vez, porém, Deus permitiu que o povo fosse derrotado duramente. Em duas batalhas morreram mais de 5 mil homens, inclusive os filhos de Eli. Desgostoso com este fato, o velho sacerdote também faleceu. Depois da morte de Eli, Samuel, embora bastante jovem, começou a orientar o povo sobre o que fazer para vencer os inimigos. Pois como poderiam viver, se suas terras continuassem sendo invadidas e roubadas?
Para sair dessa dificuldade, os líderes do povo se reuniram. E enquanto rezavam, pedindo que Deus os livrasse dos inimigos, tiveram também uma idéia brilhante: nomear Samuel como um juiz (chefe) para orientar o povo. Aceitando essa tarefa, Samuel repetiu sua promessa de servir ao Senhor com fidelidade. E com sábias palavras, ele lembrava ao povo seus deveres.
Para que Deus os ajudasse eles deveriam abandonar todos os falsos deuses dos povos estrangeiros, e servir e adorar somente ao único e verdadeiro Deus.
Quando os inimigos souberam dessas decisões, eles ficaram furiosos e atacaram novamente o povo. No início, as pessoas tiveram medo, pois as duas últimas derrotas foram feias. Samuel, porém, tranqüilizou-as e as encorajou a prosseguir firmes na luta, buscando a ajuda do Senhor. Para isso, Samuel também rezou. Sua oração foi atendida, e os inimigos, vencidos. (Veja como se desenvolveu esta batalha, lendo I Sm 7, 7-12.).
Assim, o povo pôde dominar toda a região. Reconquistar suas terras e cidades. E, enquanto Samuel esteve com eles, ninguém mais os incomodou.
Então, gostou da história de Samuel? Você percebeu como ele era atencioso com Deus e com o povo? Como ele tudo fazia para ajudar as pessoas nas suas necessidades? O que você achou desse jeito de Samuel servir ao povo? Que ensinamento ele nos deixa?
Todos os jovens a exemplo de Samuel, são chamados por Deus bem em seu intimo; mas é seu dever ouvir esta voz e dizer o seu sim. Samuel ao compreender que Deus o chamava para algo mui especial, não pensou duas vezes, abriu seu coração e acolheu o chamado do Pai em sua vida.
Que cada jovem diga seu sim como Samuel, Abraão, Maria e tantas outras pessoas que deram sua vida plenamente ao projeto do Pai.

LECTIO DIVINA

A LECTIO DIVINA é um alicerce fundamental para a vivência do nosso Carisma. Pela Palavra de Deus Vivo recebemos o salutar alimento espiritual, que nos dará sustento para a nossa missão, no dia-a-dia. Somos convidados, através da leitura, meditação e oração, a subirmos ao "Monte Tabor" e, pela contemplação, transformar-nos n'Aquele que contemplamos. "O homem não só reflete o que contempla, mas transforma-se naquilo que contempla. Portanto, contemplando Jesus Cristo, nós nos tornamos semelhantes a Ele, consentimos que seu mundo, seus propósitos e seus sentimentos se imprimam em nós, que substituam nossos pensamentos, propósitos e sentimentos, que nos façam semelhantes a Ele". (Jean Seminarista)
O que significa Lectio Divina?
A palavra latina lectio em sua primeira acepção significa ensinamento, lição. Num segundo sentido, derivado, lectio também pode significar um texto ou um grupo de textos que transmitem tal ensinamento. A LECTIO DIVINA é um exercício da escuta pessoal da Palavra de Deus. Funciona como uma escada de quatro degraus espirituais: Leitura, Meditação, Oração, Contemplação. Sendo que os degraus são mais para a compreensão, pois o Senhor, na liberdade do seu Espírito, pode elevar à oração e à contemplação no momento que lhe aprouver. É preciso, portanto, estar aberto à ação do Espírito Santo: "Buscai na leitura e encontrareis na meditação; batei pela oração e encontrareis pela contemplação". Para os monges do deserto, a leitura da Palavra de Deus não é simplesmente um exercício religioso de lectio, que gradualmente prepara o espírito e coração para a meditatio e depois para a oratio, na esperança que possam mesmo chegar à contemplatio (se possível antes que a hora de lectio termine). Para os monges do deserto, o contato com a Palavra é contato com o fogo que queima, chama violentamente à conversão. O contato com a Escritura não um método de oração; é um encontro místico. Logo, a Lectio é o desejo de permitir-se ser desafiado e transformado pelo fogo da Palavra de Deus.




LEITURA - MEDITAÇÃO - ORAÇÃO - CONTEMPLAÇÃO
Oração inicial: Comece invocando o Espírito Santo: "Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor. Enviai, Senhor, o vosso Espírito, e tudo será criado; e renovareis a face da terra. Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, fazei que apreciemos retamente todas as coisas e gozemos sempre da sua consolação. Por Cristo Senhor nosso. Amém."


LEITURA (Lectio)
O que o texto diz? - Preste atenção em todos os detalhes: o ambiente, o desenrolar dos fatos, os personagens, os diálogos, a reação das pessoas; procurando perceber os seus sentimentos, os pontos mais importantes, as palavras mais fortes, sublinhando o trecho que mais te chamou atenção. É importante que você identifique tudo isto com calma e atenção, como se estivesse vendo a cena. Esse degrau é o que exigirá maior esforço de sua parte. Não é momento de procurar direcionamentos para sua vida, mas para perceber o que o texto fala de forma genérica. A leitura em meia voz ajudará a perceber melhor cada detalhe, pois você estará usando mais um sentido.
MEDITAÇÃO (Meditatio)
O que o texto me diz? - Momento de se colocar de forma pessoal diante da Palavra. É hora de "ruminar", saborear a Palavra. "Quão saborosas são para mim vossas palavras! São mais doces que o mel à minha boca" (Sal 118,103). Tudo o que você encontrar na leitura deve agora ser questionado com sua vida, através do Espírito Santo. Não é preciso deter-se no texto todo como na leitura, mas naquilo que o Espírito Santo tiver suscitado. Confronte a sua vida com a Palavra, deixando se impregnar pelos sentimentos que o Espírito faz surgir em nós: alegria, confiança, arrependimento...

ORAÇÃO (Oratio)

O que o texto me faz dizer? - A oração brota como fruto da meditação. Sentimentos nos levam a dar uma resposta a Deus. Naturalmente brotam o louvor, uma súplica, uma oração penitencial, a oferta, a adoração. O que o Espírito suscitar.
CONTEMPLAÇÃO (Contemplatio)
O que a Palavra faz? - É o próprio Deus agindo. É um deliciar-se com a ação de Deus que toma a sua oração e leva você ao coração d'Ele. A contemplação não é fruto dos seus esforços, é pura graça de Deus.
Como disse Sta.Teresa: "Quereis saber se estais adiantadas na oração? Olhai se na vossa vida tem virtudes". É pelos frutos de conversão que reconhecemos se estamos orando de verdade. "Contemplar não significa procurar a verdade, mas regozijar-se com a verdade encontrada, saboreando toda a sua riqueza e profundidade" (Frei Raniero).
VIDA
O importante não é ler e conhecer a Bíblia, mas vivê-la!
Termine com a oração do Pai Nosso, comprometendo-se a levar para a sua vida a Palavra e o fruto desta oração: "Venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa vontade”.
Perceba a dimensão Trinitária da Lectio Divina: invocamos o Espírito Santo no início; contemplamos o rosto do Filho no Evangelho; e nos dirigimos ao Pai na própria oração que o Senhor Jesus nos ensinou.
"Se o grão de trigo, caído na terra, não morrer, fica só; se morrer produz muito fruto" (Jo 12,24)
Desejo a todos, muita força na caminhada catecumenal e que Deus os ilumine e guie vossos passos para uma vida pura, límpida e feliz.
Boa oração!

Jean seminarista


►VOCAÇÃO DO CATEQUISTA◄

“Deus é tão bom que sempre nos dá uma nova oportunidade”. Ouvi esta frase outro dia dentro de um ônibus quando ao ir para minha pastoral, paróquia Santa Luzia em Limeira me deparei com duas senhoras analisando suas vidas. Durante o percurso ouvindo àquelas senhoras conversando sobre o chamado que Deus tinha feito em suas vidas, fui refletindo sobre o chamado que Deus faz a cada um de nós, sobre a nova oportunidade que Ele nos dá a cada dia. De fato, Deus não dá segunda chance, Ele dá uma nova chance. Quando alguém dá uma segunda chance à outra pessoa, pode ser que não dê uma terceira, e aquela seja a última oportunidade que o outro tem de acertar. Com Deus a coisa é diferente, Ele não se cansa de dar uma nova oportunidade, porque o seu amor é ilimitado. Eis, portanto, a missão do catequista: anunciar com palavras e, sobretudo, ações, o amor infinito de Deus.
O catequista é chamado a ser testemunha de Jesus Cristo. Testemunhar não significa discursar sobre, mas viver intensamente o Evangelho configurando-se Àquele que primeiro nos amou e nos escolheu: “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi” (Jo 15, 16). Não se pode anunciar aquilo que ainda não se experimentou. O catequista precisa ter essa consciência de que a missão não é mérito seu, mas lhe foi confiada. Não se trata de realização pessoal, mas algo muito maior, ou seja, o catequista é um eleito de Deus para exercer esta vocação específica no seio da Igreja. Vocação esta que não pode ser vivida fora do contexto do amor.
De fato, é esse amor que nos impulsiona na missão que a nós foi confiada. O catequista, portanto, deve ser um especialista no amor, porque é alguém que teve um encontro pessoal com Jesus Cristo (pelo menos diz ter) e é comprometido com o seu projeto de construção e edificação do Reino.
Infelizmente existem muitos catequistas que estão sempre reclamando de tudo e de todos, principalmente de seus próprios catequizandos, “ninguém quer saber de nada...”. Vivem dando ultimatos às crianças e adolescentes: “se vocês não fizerem vocês vão vê...”. Com freqüência ameaçam abandonar a pastoral, “só vou ficar mais este ano, porque já não agüento mais...” e por aí vai. Não são felizes! O catequista não pode ser alguém infeliz.
Na Carta aos Gálatas encontramos o resumo de como deve ser a vida do catequista: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vive pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim.” (Gl 2,20). Os catequizandos precisam enxergar isso nos seus catequistas, através de suas ações e não apenas de suas palavras. O catequista precisa deixar-se seduzir a cada dia por Deus e envolver-se por seu amor infinito, ao ponto de já não viver por si mesmo, mas por Cristo.
Desta forma, encarnando e tornando vivo o Evangelho em sua vida, o catequista conseguirá atrair os seus catequizandos para Cristo, numa adesão incondicional ao projeto de Jesus. E sua alegria será infinita, porque sabe que apesar das suas limitações Deus continua agindo no mundo por meio dele, oferecendo sempre uma nova oportunidade à humanidade.

Jean Borges – Seminarista Diocese de Limeira

22 de outubro de 2009

Será que Deus perdoa pecados graves?

A misericórdia é uma das principais qualidades de Deus. (Salmo 85) Mas, até que ponto vai a misericórdia dele? Um salmista escreveu: “Se vigiasses os erros, quem poderia ficar de pé? Pois contigo há o verdadeiro perdão, a fim de que sejas temido” (Salmo 130). Outro salmo diz: ”Tão longe como o nascente é do poente, tão longe pôs de nós as nossas transgressões Assim como o Pai é misericordioso para com seus filhos, Deus tem sido misericordioso com os que o temem. Porque ele mesmo conhece bem a nossa formação, lembra-se de que somos pó”.
Não há duvida de que a misericórdia de Deus é completa e imensa, e leva em conta nossas limitações e imperfeições, ou seja, o fato de que somos “pó”. O apostolo Pedro negou Jesus três vezes (Marcos 14,16-72) Antes de se converter ao cristianismo o apóstolo Paulo perseguia os seguidores de Cristo. Quando alguns deles estavam para ser executados, Paulo votava a favor disso. Até mesmo aprovou o assassinato de um desses seguidores (Atos 8,1 Gálatas 1,13) Antes de se tornarem cristãos alguns membros da congregação de Corinto eram beberrões, extorsores e ladrões. (1Coríntios 6, 9-11). Mas todos eles vieram a ter o favor divino.
● Três passos para se alcançar o perdão de Deus
“Foi-me concedida misericórdia, porque eu era ignorante e agi com falta de fé, escreveu Paulo. (1Timóteo 1,13) Suas palavras honestas indicam o primeiro passo que precisamos dar para conseguir o perdão de Deus: remover o véu da ignorância por obter o conhecimento exato de Deus e de suas normas conforme registrados na sagrada escritura. (2 Timóteo 3,16,17) De fato, não há como agradar nosso criador sem conhecê-lo bem. Jesus disse em oração: “Isto significa vida eterna, que absorvam o conhecimento de ti, o único Deus verdadeiro, e daquele que enviaste Jesus Cristo” – João 17,3.
Quando pessoas sinceras obtêm este conhecimento, elas lamentam profundamente os erros passados e sentem-se movidas a expressar este arrependimento de coração. Esse é o segundo passo para conseguir o perdão de Deus. Atos dos Apóstolos 3,19 diz: “Arrependei-vos, portanto, e daí meia volta, a fim de que vossos pecados sejam apagados”.
Nesse mesmo versículo encontramos o terceiro passo: dar meia volta. Isso significa abandonar as atitudes e o proceder anteriores e adotar as normas e conceitos de Deus. (Atos 26,20) Dito de modo simples a pessoa mostra por meio de seu modo de vida que está realmente falando sério quando pede perdão a Deus.
● O perdão de Deus tem limites
Deus não perdoa o pecado de todas as pessoas. Paulo escreveu: “Se praticamos o pecado deliberadamente, depois de termos recebido o conhecimento exato da verdade, não há mais nenhum sacrifício pelos pecados, mas há uma certa expectativa terrível de julgamento (condenatório).” (Hebreus 10,26-27).
A expressão praticar o pecado deliberadamente indica um coração realmente perverso onde a maldade está bem arraigada. Mas apesar disso, cristãos verdadeiros, por suas imperfeições humanas acabam cometendo pecados graves. Mas suas falhas não revelam uma disposição má que vem do coração. – Gálatas 6,1
● Misericordioso até o fim
Deus não observa apenas o pecado, mas a atitude do pecador. (Isaias 1,16–19). Pense nos malfeitores pendurados em cruzes ao lado de Jesus. É evidente que os dois cometeram crimes graves, pois um deles admitiu: “Estamos recebendo plenamente o que merecemos pelas coisas que fazemos; mas este homem (Jesus) não fez nada fora de ordem.” Estas palavras indicam que o malfeitor tinha algum conhecimento sobre Jesus. E é provável que esse conhecimento tenha contribuído para uma mudança de atitude. Isso é indicado pela súplica que ele fez a Jesus: “Lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Como Cristo reagiu a esse pedido sincero?
Ele respondeu: “Deveras, eu te digo: hoje estarás comigo no paraíso” – Lucas 23,41-43.
Para meditar: As últimas palavras de Jesus como humano incluíram uma expressão de misericórdia dirigida a um homem que havia admitido merecer a pena de morte. Isso é muito encorajador! Podemos, então, ter certeza de que Deus mostrará compaixão a todos que manifestarem verdadeiro arrependimento, independentemente do que fizeram no passado. Romanos 4,7.
Jean Borges

20 de outubro de 2009

BASE TEOLÓGICA DO CELIBATO

Cristo nunca se casou. Sua vida é justificativa da vocação para o celibato. Jesus Cristo questiona as leis da criação e da natureza; questiona a Lei da Antiga Aliança, que buscava restabelecer a ordem na criação e na natureza, perturbada pelo pecado.
Ele não aboliu, é certo, a ordem da criação, as leis da natureza nem a Lei de Moisés, mas completou-as todas, conferindo-lhes seu sentido original profundo de sinal impositivo e absoluto, qual seja, a ética do Sermão da Montanha. Poder-se-ia dizer que essa definição da vida no Reino, irrealizável na Terra, é um chamado à perfeição, talvez àquilo somente concretizável no fim, na vida eterna. De vez em quando nos sentimos chamados e condenados pela proposta absoluta de Cristo, o que nos inspira com real humildade, com um sentimento de nossa própria, profunda, maldade, e um ardente anseio pela volta de Cristo. Esse absoluto nos conduz a uma moralidade de ruptura e sacrifício. Não é possível ordenar a vida por meio da Lei nem canalizar as paixões mediante um preceito moral. Como seguidores de Cristo, temos de aspirar àquele amor puro que renuncia à vida. “Ouvistes que foi dito, ‘não cometerás adultério’. Ora, eu vos digo: ‘todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher já adulterou com ela em seu coração’ “. (Mt 5, 27-28 ) Quem pode fugir do adultério no íntimo do seu coração? A Lei se tornou absoluta, ao mesmo tempo nos atrai e nos julga. Ninguém que deseje obedecer Cristo pode continuar a desejar que este mundo, a ordem da criação e a ordem natural durem para sempre. Nós desejamos o fim: “Vem, Senhor Jesus”. Nessa espera de sua volta não podemos sucumbir ao desânimo e desespero. Com a ajuda do Espírito Santo e numa perseverança sustentada pela fé e autodisciplina podemos sem dúvida alcançar vitórias. Buscaremos nossa força em Cristo e aceitaremos ter de romper com o mundo. Imediatamente após haver relegado o adultério aos desejos mais recônditos do coração, Jesus prossegue: “Se teu olho direito é causa de queda, arranca-o …. é preferível perder um dos teus membros a ter o teu corpo inteiro atirado no inferno …”. (Mt 5, 29-30) Enquanto esperamos Cristo retornar e nos santificar temos de viver no mundo. Para que essa espera tenha significado e se torne algo de real, temos de aceitar o sacrifício em nossas vidas.
O oferecimento do celibato sacerdotal
O celibato é um desses sinais a nos recordar as exigências absolutas de Cristo, seu retorno libertador, a economia do Reino do Céu, a necessidade de estar vigilante, de romper com o mundo, com a carne, com a luxúria e de, com alegria no coração, aceitar a renúncia às paixões pelo puro amor de Jesus. Lembra-nos de que o casamento em Cristo também implica exigências sacrificais: fidelidade absoluta e perene (monogamia e indissolubilidade) e pureza de coração (o adultério não é apenas físico). O celibato é uma maneira de obedecer ao convite de Cristo: “Se alguém quer seguir-me, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará”.(Mt 16, 24-25).