20 de outubro de 2009

BASE TEOLÓGICA DO CELIBATO

Cristo nunca se casou. Sua vida é justificativa da vocação para o celibato. Jesus Cristo questiona as leis da criação e da natureza; questiona a Lei da Antiga Aliança, que buscava restabelecer a ordem na criação e na natureza, perturbada pelo pecado.
Ele não aboliu, é certo, a ordem da criação, as leis da natureza nem a Lei de Moisés, mas completou-as todas, conferindo-lhes seu sentido original profundo de sinal impositivo e absoluto, qual seja, a ética do Sermão da Montanha. Poder-se-ia dizer que essa definição da vida no Reino, irrealizável na Terra, é um chamado à perfeição, talvez àquilo somente concretizável no fim, na vida eterna. De vez em quando nos sentimos chamados e condenados pela proposta absoluta de Cristo, o que nos inspira com real humildade, com um sentimento de nossa própria, profunda, maldade, e um ardente anseio pela volta de Cristo. Esse absoluto nos conduz a uma moralidade de ruptura e sacrifício. Não é possível ordenar a vida por meio da Lei nem canalizar as paixões mediante um preceito moral. Como seguidores de Cristo, temos de aspirar àquele amor puro que renuncia à vida. “Ouvistes que foi dito, ‘não cometerás adultério’. Ora, eu vos digo: ‘todo aquele que lançar um olhar de cobiça para uma mulher já adulterou com ela em seu coração’ “. (Mt 5, 27-28 ) Quem pode fugir do adultério no íntimo do seu coração? A Lei se tornou absoluta, ao mesmo tempo nos atrai e nos julga. Ninguém que deseje obedecer Cristo pode continuar a desejar que este mundo, a ordem da criação e a ordem natural durem para sempre. Nós desejamos o fim: “Vem, Senhor Jesus”. Nessa espera de sua volta não podemos sucumbir ao desânimo e desespero. Com a ajuda do Espírito Santo e numa perseverança sustentada pela fé e autodisciplina podemos sem dúvida alcançar vitórias. Buscaremos nossa força em Cristo e aceitaremos ter de romper com o mundo. Imediatamente após haver relegado o adultério aos desejos mais recônditos do coração, Jesus prossegue: “Se teu olho direito é causa de queda, arranca-o …. é preferível perder um dos teus membros a ter o teu corpo inteiro atirado no inferno …”. (Mt 5, 29-30) Enquanto esperamos Cristo retornar e nos santificar temos de viver no mundo. Para que essa espera tenha significado e se torne algo de real, temos de aceitar o sacrifício em nossas vidas.
O oferecimento do celibato sacerdotal
O celibato é um desses sinais a nos recordar as exigências absolutas de Cristo, seu retorno libertador, a economia do Reino do Céu, a necessidade de estar vigilante, de romper com o mundo, com a carne, com a luxúria e de, com alegria no coração, aceitar a renúncia às paixões pelo puro amor de Jesus. Lembra-nos de que o casamento em Cristo também implica exigências sacrificais: fidelidade absoluta e perene (monogamia e indissolubilidade) e pureza de coração (o adultério não é apenas físico). O celibato é uma maneira de obedecer ao convite de Cristo: “Se alguém quer seguir-me, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar sua vida a perderá; e quem perder sua vida por causa de mim a encontrará”.(Mt 16, 24-25).

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