24 de agosto de 2010

ESPIRITUALIDADE: “Algumas pistas para crescermos na oração”


Orar supõe uma relação de amizade entre a pessoa e Deus. É travar um diálogo amoroso com Deus. Pensemos em Abraão, que recebe Deus na familiaridade de uma refeição preparada às pressas. Pensemos em Moisés, que “conversa com Deus, como um amigo com seu amigo”. Para Santa Tereza d’Avila, a oração nada mais é que “uma relação íntima de amizade, a que nos dedicamos com freqüência e na solidão, com Aquele que sabemos que nos ama”. Se não existe esta dimensão pessoal no acolhimento de Deus, algo de essencial estará faltando. Não se trata de uma oração cristã. É o Espírito Santo quem permite este relacionamento pessoal, uma vez que ele nos molda á imagem de Jesus. Se nos abandonamos á sua ação, Ele reproduz em nós os sentimentos de Jesus: “... recebestes um espírito de filhos adotivos que nos faz clamar: Abbá! Papai!” (Rm 8,15)
Na oração, é sempre Deus quem toma a iniciativa. “Deus se fez homem para que o homem se tornasse Deus”. Deus vem ao meu encontro, fala a mim pessoalmente. Não temo as exigências da resposta. È nesse “sim” generoso que encontrarei a alegria e a plena realização de minha vida.
Há técnicas que permitem de certa forma, “buscar Deus”. Mas estejamos convencidos de que é ele quem procura primeiro e bem mais do que podemos fazer. Estejamos conscientes disso, senão o emprego das diferentes e diversas técnicas de oração nos barrará o caminho para o verdadeiro Deus: um esforço puramente humano não poderá dar-nos Deus.
Na oração devo apresentar-me a Deus TAL COMO SOU, em verdade. Deixo de lado o personagem que gostaria de ser e aquele que os outros pensam que sou. Deus me conhece a fundo: é inútil tentar me camuflar ou apagar minha fraqueza. Apresento-me a ele sem fachadas, máscaras ou defesas.
Se não for assim, Deus terá á sua frente mera marionete, e o encontro não será possível. Em nossos momentos de oração muitas vezes cedemos á tentação de somente falar de nós mesmos, quando a grande novidade da oração cristã é justamente a ESCUTA: ”Fala, Senhor, teu servo escuta”. Tomemos por exemplo maior a própria virgem Maria, que dava ouvidos á fé: “Ela meditava em seu coração tudo o que acontecera”.
Todas as realidades da vida podem transformar-se em oração; tudo é ocasião de oração: “Aqui e agora”, nesta situação, Deus se revela a mim. Nada deve ser deixado de lado para ir a Deus. Tudo o que tem sentido para mim tem também sentido para a minha vida de relação com Deus. Neste encontro, nesta alegria, nesta queda moral, Deus está me falando. Irei ouvi-lo? Deixo-me interpelar pela vida? O sábio, diz a Bíblia, “sabe ver a verdade”, sabe ler a mensagem incessante do Deus presente nas mínimas circunstâncias da existência, assim como em suas grandes diretrizes.
Se você deseja viver continuamente na profundidade de seu coração, observe duas regras de ouro.
Primeira: “O que fizer, faça a fundo”. Se admirar um pôr-do-sol, mergulhe na luz; se comer saboreie o alimento.
Segunda: “Todas as suas ações devem ser feitas por obediência e amor á Deus”. Desta forma você viverá tendo a Deus por constante referência, e toda a sua vida brotará da união com Ele; despertar, deitar-se, trabalhar, alegrar-se, fatigar-se... Se viver assim, suas raízes interiores mergulharão em seu ser e em suas últimas profundezas. Tome o exemplo de uma lamparina. Apagada, a mecha é insignificante. Mas, se ela mergulha fundo no recipiente de óleo, pode-se acendê-la e ela passa a participar das qualidades do fogo. Em sua vida, cuide de fazer descer a sua mecha, para que ela se banhe no óleo profundo do seu coração.          

 se. Jean Carlos Borges
DIOCESE DE LIMEIRA-SP

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